Sala 24 de Maio
Espaço independente de arte
SALA 24 DE MAIO
A Sala 24 de Maio, localizada no centro de São Paulo, nasce com poucos recursos e a potência de uma visão crítica. O projeto propõe um ambiente onde artistas se encontram em processos de produção, colaborativas e experimentais, como uma fábrica de arte, desafiando os limites do espaço, que surge como uma resposta a um sistema de arte, ostentador, muitas vezes engessado e estéril.
Nesse contexto, o espaço oscila entre o low e o high, dissolvendo hierarquias e criando, de forma democrática, encontros inesperados — ao mesmo tempo em que expõe e comercializa tudo o que ali é produzido. Sob a direção de Gabriela Inui, cuja trajetória se constrói a partir de uma longa experiência na gestão de galerias de arte contemporânea, nesse projeto ressignifica a sala de sua família que permaneceu ociosa por mais de uma década no centro de São Paulo. No passado, o local abrigou o consultório de prótese dentária de seu avô, Seiji Inui, imigrante japonês que, nos anos 1960, chegou a atender na Sala o então presidente Jânio Quadros.
Hoje, o espaço é frequentado pela diáspora africana, transformando-se em um território vivo de trocas culturais — quase um fragmento da África no Brasil.
É nesse contexto, que em março de 2024, nasce oficialmente o projeto da Sala 24 de Maio, com curadoria de Gabriela Inui e os artistas convidados Link Museu, Tito Terapia e Evandro Cesar do Ateliê da Rapa. Quando os três artistas receberam a chave da sala para produzir a exposição Atropelo, cujo conceito foi atropelar a arte contemporânea com a pixação, muitos desafios foram encontrados, oque não impediu a Sala de existir, e romper com o mimetismo do circuito da arte contemporânea. Distante do modelo convencional de galeria e com o proposito de fazer arte como um veiculo de transformação, a Sala existe como um ateliê, onde artistas ativam o espaço com novas produções, exibidas e comercializadas no local.

O espaço, apesar das adversidades, se mantem ativo em novas temporadas, com novos artistas, que ativam a sala de um a quatro meses, possibilitando o desenvolvimento de processos, individuais e colaborativos, de arte. A sala com sua produção constante se torna uma fabrica de obras, com encontros, conversas, atividades de arte educação e exposições. Da pixação à pintura a óleo, a expressão artística se dá como resistência diante a violência que estamos inseridos, sendo a arte um instrumento politico de transformação social, com essa característica a sala é um lugar de choques de culturas, raças, classes e pensamentos, para criar possibilidades diante realidades opressoras, em um exercício de liberdade, na criação, veiculação e comercialização da arte. A radicalidade do projeto, aliada à singularidade do espaço, faz da Sala 24 de Maio uma experiência — tanto nos eventos que abriga quanto nos processos de criação que promove.
Direção
Gabriela Inui artista plástica formada pela FAAP com especialização em fotografia nos Estados Unidos onde desenvolveu seus primeiros trabalhos expositivos. Fez carreira no mercado de arte tendo sido diretora de galerias importantes na cena de arte paulistana como a Galeria Luísa Strina, Casa Triângulo, Mendes Wood e depois de uma década trabalhando em galerias, abriu uma galeria de edições Multiplique Boutique que participou de feiras nacionais e internacionais. Atualmente se dedica ao projeto da sala 24 de maio e comercializa artistas independentes e múltiplos de artistas consagrados.
Suas curadorias mais recentes Divergência Estética no Centro da Terra, em 2019 , uma exposição relendo o modernismo paulistano com o objeto de impedir a demolição de um salão de festa assinado pelo primeiro arquiteto do modernismo paulistano Gregori Warchavchik. A exposição teve seu objetivo atingido e impediu a demolição da construção. Em 2022 fez a curadoria da exposição Pixo e Lambe na galeria Tato onde coloca no cubo branco dois artistas de rua, o Pixador Negro Mia e os Lambe lambe dos Paulestinos.
Em 2023 realizou a exposição Contraste onde levou o acervo de arte contemporânea da Multiplique Boutique com artistas como Cildo Meireles, Antônio Dias, Mauro Restiffe entre outro, para a exposição no Beco Visceral uma galeria de arte no coração de Paraisópolis. Em 2024 produziu e fez a curadoria da exposição Atropelo com Ateliê da Rapa, Recreio do artista Oswaldo Ruivo em 2025 Para Tudo de Renato Custódio e Dado Ludo de Pedro Vicente na galeria Berenice Arvani.
